Joana Jugan
Outubro 20, 2007 at 3:00 pm | In generosidade, solidariedade, voluntariado | Leave a CommentTags: biografias, dedicação, figuras carismáticas, Irmãzinhas dos Pobres
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Da morte à vida
(1879)
Nos últimos anos de vida, Joana falava bastantes vezes da sua morte e fazia-o com serenidade.
Mas, antes de morrer, iria ter uma grande alegria. Em Novembro de 1878, tinham sido feitas diligências para obter do Papa a aprovação das constituições (a aprovação de 1854 era só «ad experimentum»). No dia l de Março, Leão XIII concedeu a ratificação pedida.
Havia, então, quarenta anos depois dos humildes princípios de Saint-Servan, 2400 Irmãzinhas.
Joana Jugan morreu no mês de Agosto de 1879.
A sua missão continua
«Vão falar-lhe de mim, mas não dê importância, Deus sabe tudo!»: Último conselho de Joana, no dia 19 de Março de 1876, a uma jovem Irmã, que professara havia três dias e que ia deixar «La Tour Saint-Joseph» para ir para Saint-Servan.
Apagar-se, ser esquecida, era a única ambição de Joana. Esta ambição parece realizada com a sua morte.
E, todavia, em 1894, a que foi chamada a dirigir a Congregação depois da morte de Marie-Jamet, toma a iniciativa de mandar escrever a história de Joana Jugan. Este primeiro trabalho de investigação histórica apareceu em 1902. Três anos antes, tinha sido publicada uma breve notícia necrológica de Joana Jugan onde ela é reconhecida como «a primeira Irmãzinha e fundadora».
Com a restituição da «sua obra», começa a missão póstuma de Joana, a qual irá ampliar-se no decorrer dos anos. Em 1935, os numerosos testemunhos dos seus contemporâneos fazem pensar que é chegado o momento de abrir, em Rennes, o processo informativo sobre a sua reputação de santidade. No ano seguinte, os restos de Joana são transportados do cemitério da Comunidade para a Cripta da Capela. A segunda guerra mundial veio interromper o processo. Foi preciso esperar até Julho de 1970 para apresentar a causa em Roma. Todas as testemunhas oculares tinham desaparecido, entretanto. O processo apostólico deverá, portanto, formar um juízo sobre a heroicidade das virtudes de Joana, a partir de um trabalho histórico que foi concluído em Fevereiro de 1979 e apresentado a João Paulo II. O decreto de heroicidade das virtudes foi promulgado a 13 de Julho, seis semanas antes do centenário da morte de Joana.
Três anos mais tarde, é reconhecida como inexplicável pela ciência médica, uma cura: Antoine Schlatter, velhinho residente na Casa das Irmãzinhas dos Pobres, em Toulon, atingido pela doença de Raynaud, em fase adiantada e ameaçado de amputação de uma mão, ficou, subitamente, curado, no decurso de uma novena de oração, pedindo a sua cura pela intercessão de Joana.
Com a sua beatificação, no dia 3 de Outubro de 1982, a Igreja apresenta, agora, Joana Jugan como exemplo para os tempos de hoje.
Qual é, então, a sua mensagem? A cem anos da sua morte, poderá ela ser, ainda, actual?
Precursora, no campo da acção apostólica e social, há cento e cinquenta anos, Joana teve um sentido humano e evangélico da terceira idade, que não ficou limitado à sua época.
Pela sua obra hospitaleira ao serviço das pessoas idosas pobres, estabelecida, hoje, em trinta países, ela convida-nos a estudar, na óptica de Deus, o lugar e o papel dos anciãos na nossa sociedade moderna, a sua inserção na Família e na Igreja, a especificidade desta idade, as suas riquezas, assim como as suas dificuldades. Convida-nos, ainda, a uma atitude essencial de estima, de compreensão mútua, de diálogo, de partilha e de entreajuda que deve unir as gerações.
Mas a mensagem de Joana Jugan não se reduz a isso. Uma pessoa que a conheceu bem, disse que a sua característica particular era «a glorificação de Deus».
Contestada, humilhada, vítima de adversidades, ia sempre glorificando a Deus! Esta glorificação estava enraizada na sua Fé. Pobre com os pobres, feliz por ser assim, Joana tinha uma confiança absoluta na bondade paternal de Deus; abandonava-se aos caminhos da Sua Providência, estava consciente de ser uma serva inútil e proclamava a sua alegria por «esperar tudo de Deus».
Joana Jugan é um apelo a que vivamos as Bem-Aventuranças, hoje. A sua missão continua.
Paul Milcent
Joana Jugan
Publicação das Irmãzinhas dos Pobres
(excertos)
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